Postado em 28 de fevereiro de 2018 às 13:14

[RESENHA] Os Zebras - Garotos do Bullying, de Nicolas Catalano

Hey cupcakes! Hoje é dia de resenha e de um autor que gosto muito e é parceiro aqui do blog: Nicolas Catalano. Ele está com lançamento para dia 04 de março no JundiaíShopping na Casa das Letras inclusive de um livro já resenhado aqui no blog (Espelho dos Olhos vai ter continuação, minha gente!) mas já tem um projeto por aqui. Vem cá conferir o que eu achei?


Sinopse: Erick Lobos não é um bom garoto. Com apenas 15 anos, já causou problemas de sobra para o resto de sua vida! Violento, expulso de três escolas, odiado pelos professores e ainda tendo um envolvimento em um peculiar homicídio das gêmeas "Boomerang" (de apenas 6 anos de idade), sua mãe não vê outra opção a não ser mandá-lo a uma dinâmica academia que talvez o colocará no eixo. Mas, o que ela não imagina é que o lugar poderá transformar ainda mais o seu caráter.



Por que as pessoas insistem em impor e transformar ações simples em piores coisas? (pág. 78)
RESENHA
Eu já tinha visto algumas páginas anteriormente e postado as primeiras impressões aqui no blog, e continuo falando: essa obra não tem nada a ver com o autor - ele é tão amorzinho e os personagens são tão maldosos! rs -, mas sem dúvidas é aquela obra que tem uma mensagem escondida, que tem um recadinho para dar e que é muito necessário atualmente e sempre precisamos reforçar.  Os Zebras vai contar a história de Erick Lobos se tornando um "zebra" e os outros zebras: garotos que são transferidos para a Academia de Elegância dos Caráteres para, em teoria, serem disciplinados e aprenderem a serem bons meninos e meninas novamente. Afinal, todos não devem ter uma segunda, terceira... Quantas chances são necessárias para tornar factível a mudança de caráter? Isso pode ser mudado, afinal?
A origem das ações valem muito mais do que a pessoa escolheu ser. (pág 59)
Logo no primeiro dia já temos muita confusão e mal entendido. Erick sempre teve tudo ao seu dispor: dinheiro, casa, carro, cartão de crédito... Desde a separação de seus pais ele sempre foi um garoto que não conhecia a palavra "limite", então vivia uma vida desenfreada, o que levou a consequências horríveis principalmente para sua formação de caráter. Aquela frase de tudo que vem fácil, vai fácil; da mesma forma que ele teve tudo, tudo lhe foi tirado em um "limite"  que desconhecia e acabou parando em um lugar para ajudar na transformação de caráter - ao menos era o que sua mãe esperava para ele. 
Às vezes, aprendemos pela dor. Às vezes, pelo amor. É perda de tempo definir uma maneira geral por qual dos métodos gerais uma pessoa irá melhorar.
Quando Erick chega na Academia não é exatamente o que ele esperava... A Academia tem algumas divisões entre as partes que dividem garotos, garotas e atividades com nomes como Coração, Tríceps, Corpo e outros, o que é bem interessante se parar para analisar cada parte, mas isso seria um pouco de spoiler, mas pense que as partes que constroem são todas necessárias para construção de caráter - tudo, absolutamente tudo é impactante principalmente em determinadas partes da vida. Além disso, seus membros se dividem em gangues na seção dos garotos e você praticamente não sobrevive ou é tratado literalmente como lixo senão é "aprovado" em uma. O nosso Erick para ajudar é um baita de um encrenqueiro e um ímã para problemas e acaba conhecendo pessoas tão encrenqueiras como líderes e membros de gangues que não estão ali porque simplesmente roubaram mas fizeram isso e coisas piores como assassinatos, por exemplo. É aí que vamos conhecendo o dia-a-dia dentro da Academia que tem sim seus psicólogos mas também outros moldadores de caráter. Erick poderia ser influenciado por eles?
Ficar calado pode te matar por dentro.
 Lembra todas aqueles questionamentos que eu tinha ficado? O restante do livro adiciona questões. Além do ser humano poder sim ser um ser desprezível, é fato que coisas que acontecem na vida de nossos familiares, principalmente os que estão com a gente em casa todos os dias, afetam a nossa vida. No caso, houve uma depressão familiar que afetou a vida de Erick e culminou no menino de mau caráter, mas isso muda de pessoa para pessoa e isso não é uma regra, mas isso aconteceu com o menino. Podemos culpá-lo totalmente por toda fuga que ele construiu sem se dar conta de que estava fazendo isso? Ele poderia ter noção das consequências dos seus atos? Além disso, a falta de amor e carinho o tornou carente desses sentimentos sem que ele pudesse perceber. 
Até onde o certo é certo e o errado é errado? Pessoas más sendo más consigo mesmas. Isso é justiça? O próprio veneno se envenenar? Será que só o bem pode curar o mal? Ou será que o mal cura o mal?
Há diversos personagens durante todo o desenvolvimento e acredito que eles podem ser várias coisas que aprecem durante a nossa vida. Acho que gostei bastante de Álvaro, um garoto mau mas que tem uma noção de sobrevivência e humanidade, além disso ele tem certa empatia mas também quer continuar vivo então tenta dar alguma força para os nossos personagens. Ira é um líder de gangue muito filho da mãe, para deixar uma palavra melhor, tem a raiva muito presente mas principalmente por tentar lutar contra algo dentro de si.  Cassiano é o parceiro de quarto e o melhor garoto (para a pâm) - ele dá dicas inclusive para Erick tentar ser um cara melhor, lendo inclusive o manual da Academia (um manual que a Academia disponibiliza para os alunos "se tocarem" para onde foram parar com sua vida desregrada). A psicóloga Rosa, ao mesmo tempo que parece completamente "do bem" me deixou super com um pé atrás para saber se era realmente o que ela queria que seus alunos fizessem ou fossem. Lorena se torna uma amiga de Erick e ela dá uns tapas no ego dele sim, e achei isso muito bacana (precisamos de amigos assim, poxa!).
 Ninguém nasce desequilibrado para o mal. Ninguém nasce predispostos a querer oprimir o outro. As pessoas se tornam más por terem péssimas e por terem destrutivas experiências em suas vidas, assim como os ensinamentos errôneos, principalmente no ambiente familiar.
Devo dizer que fiquei com vontade de ir pra Polônia - será que aprender polonês é muito difícil? - e também em certas partes eu fiquei brava com o andamento da leitura e deixei de lado em alguns momentos (verdade, Nicolas, desculpa). Eu queria que o Erick lesse o manual e se tornasse bonzinho e que parassem de aprontar com ele. Fiquei com dó, com raiva, com vontade de dar uns tapas nesses garotos. Achei muito legal por terem várias mensagens intrínsecas e tem uma liçãozinha no final do livro sim, acredito que poderia ser um livro para ser livro por gente mais nova sim (eu tenho 22, gente, então acho que ler com uns dezesseis ou dezessete pode dar uma luz ou uma grande placa de alerta, sim!), precisamos de leituras que tragam algo que agregue ou reforcem pensamentos de siga em frente, os outros e você não precisam se perder num mar de perdição e coisas ruins quando a amizade, carinho e amor existem e estão presentes nos pequenos gestos e grandes resultados. Adorei marcar os quotes e trechos em destaque, e tem mais ainda, minha gente rs Adorei a criatividade do autor para a Academia e fiquei muito satisfeita com o final...Tudo valeu a pena, de uma forma boa ou ruim... Será que você está disposto a conhecer essa academia e esses garotos?


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