Words Challenge 2021 - Perda de Memória

06:28

Hey cupcakes! Como vocês já sabem, eu e a Alê do blog Estante da Alê anualmente preparamos com muito carinho um desafio de palavras durante o ano todo, onde podemos nos desafiar e trazer um texto diferenciado no conteúdo dos nossos blogs. Esse ano nossas postagens estão sendo mais completas, com direito a elenco, trilha sonora e cenários... Vocês poderão ver um pouquinho delas no Insta Rascunhando Memórias. Que tal conferir o nosso tema da vez na minha versão de Perda de Memória?

Continue lendo para conferir!

Põe pra tocar: How to save a life-The Fray


Elenco:
Personagem Masculino: Liam Hemsworth
Personagem FemininaZooey Deschanel

Palavras:

escuro, morango, arranhão, protuberante, pedido.

O nariz vermelho? Ok. A tinta branca que cobre meu rosto com exceção da barba? Ok. A peruca de hoje é laranja-berrante e visto um casaco cheio de bolinhas. O meu violão seguro pela correia no meu ombro. Eu bato cinco vezes na porta, em um ritmo que as crianças já conhecem e ouço, de fora, alguns risinhos dentro do quarto. Posso me ver sorrindo e meu peito se aperta como todas as vezes —  emoção, a esperança de ver todos os rostinhos, a alegria de vê-los. De repente, todos ficam em silêncio por um momento e eu bato mais duas vezes. 

Alguma vozinha grita "Entra" e está tudo escuro. 

Então, a enfermeira acende a luz e todos gritam "SURPRESA". Sou surpreendido por eles - porque hoje é meu aniversário, mas eu não esperava que eles se lembrassem porque eu não fico realmente falando sobre isso... Mas fico muito feliz com tudo. Como não fico há exatos cinco dias.

Um bolo de brigadeiro com morango está ao lado da cama de Clarinha e Pedrinho. As velas estão acesas e eu sorrio com o que fizeram. Posso ouvir cliques de câmeras e as crianças cantando parabéns para o palhaço da oncologia da segunda e quarta-feira. Sinto as lágrimas escaparem e acompanho a canção, com os acordes já conhecidos no violão, que uso sempre para cantar parabéns quando algumas dessas carinhas fazem aniversário. 

  Pipoca... —  Clarinha começa, usando meu nome "artístico", como eu disse e eles jamais se esqueceram. —  Quando você assoprar a velinha, você pode fazer um pedido. A coisa que você mais sonha na vida vai acontecer.

Engulo em seco. 

Com tudo que vem acontecendo em minha vida, eu queria muito que as coisas pudessem começar a se resolver com a fé de assoprar desejos em uma vela. Meu maior desejo era entregar nas mãos de um assopro o meu pedido e deixar acontecer bem diante dos meus olhos.

Sorrio, sentindo meu sorriso tremer, mas os pequenos nem percebem. 

Eu desejo. Eu quero tanto. 

Eu fecho os olhos e assopro as velinhas. 

Só hoje. 

Só por hoje.

Começo a cortar o bolo para todas as crianças, mães e enfermeiras que estão presentes. O bolo é grande e uma delícia. O doce derrete na minha língua e eu seguro pra não chorar da última lembrança que tenho com o aniversário. 

As crianças estão tão felizes, que mergulho junto naquela bolha de risadas infantis e naturais. Pequenos com tão pouco tempo de vida, mas tanto a me ensinar nessa batalha que chamamos vida. Conto uma história. Toco algumas músicas. Faço brincadeiras, vozes engraçadas e quando vejo, até mesmo Larinha, a mais tímida, está gargalhando e envolvida com todos. Nesse dia, meu presente é vê-los sorrir.
Quando preciso dar tchau e fechar a porta atrás, meu coração murcha e fica pequeno outra vez. Marta, a enfermeira, me parabeniza e me dá um tapinha nas costas.

 O aniversário é seu, mas o presente é nosso por ter você, Jorge. 

Assinto com um meio sorriso.

 Você vai vê-la?

Assinto devagar, desviando o olhar. 

 Acho melhor você tirar a maquiagem. A última vez ela se assustou bastante com você desse jeito, e a peruca nem era tão colorida assim. 

Isso foi há dois dias.

Sorrio amarelo com a lembrança e vou ao banheiro me limpar e guardar meus itens de trabalho. Não paro de pensar em como ela vai reagir hoje. 

Olho para o espelho e, depois de me despedir de Pipoca, sou eu novamente. 
Jorge Monteiro.

Barba por fazer, olhos "cor de esmeralda", boca "beijável" com um semblante novo e constante de canseira e preocupação. Ah! O cabelo de "amassar" também está ali. Por que as memórias que criamos podem ser tão dolorosas? 

Me dirijo ao quarto 225B. 

Bato três vezes, como eu havia combinado ontem. Eu estou ansioso. Me falta o ar. 

 Pode entrar. — A voz parece estar mais forte que ontem. Quero dizer que posso ouvi-la sorrir, mas não quero me enganar. — Jorge. 

Ela solta um suspiro quando me vê. 

Capricho no visual para vê-la. 

Camisa cinza escura, calça jeans no azul marinho e tênis. Aliança no dedo. O perfume que ela sempre gostava que eu usasse. Ela dizia que adorava me ver assim, quando eu me arrumava para vê-la. Mas até agora eu não tinha despertado nenhuma lembrança... Nenhuma recordação, nesses 5 dias, de que estávamos casados há cinco anos e ela era, e sempre seria, o amor da minha vida. E eu... O da vida dela. Mas isso ela parecia ter esquecido. 

 Oi, prin... Camila. — Dou um sorriso tímido.
— Senta aqui, Jorge. — Ela dá uma batidinha ao lado do colchão.

Estremeço e vejo mais de perto o arranhão em seu braço. A sequela do acidente. Apesar de ela ter batido a cabeça, essa marca profunda em seu braço foi o outro efeito colateral que restou do dia que me culpo internamente até agora.

Sento ao seu lado e ela se ajeita na cama. Eu a ajudo e ela pousa a mão em meu rosto. Me derreto com seu toque e fecho os olhos.

 Eu tenho uma coisa pra falar pra você. — Abro os olhos e ela está me encarando. 

Respiro fundo e seguro sua mão em minha bochecha. Ela faz o mesmo movimento que fazia quando eu deixava a barba por fazer. Coçando a palma e sorrindo com a fricção em meu rosto.

 O que é, amor?

— Eu... Eu acho que hoje é um dia especial, mas ninguém quis me falar porquê. — Ela tem o semblante de quem aprontou alguma. — Então, eu chamei a Marta e ela me disse que iam fazer uma surpresa pro palhaço Pipoca, aquele mesmo que apareceu aqui por esses dias, sabe? E me assustou. — Ela revira os olhos e sorri. Assinto e sorrio junto, seguindo seus lábios com o olhar. — Porque hoje é o aniversário dele, mas tem mais uma coisa importante hoje. 

Será.... 

 Tem?
 Tem! Mas eu queria que você me ajudasse. Afinal, você é o meu Ge.

Arqueio as sobrancelhas... Será...?

Vejo algo protuberante em sua mão. Sei bem o que está naquela caixinha e meu sorriso fica largo. Sonhos podem mesmo se tornar reais se assoprarmos uma vela com tanta fé quanto é possível? Ou a história já estava escrita como era pra ser?

Os olhos dela brilham quando olham pra minha boca sorrindo. 

 A sua boca fica muito beijável quando você sorri. — Ela solta uma risada e fica vermelha, como nos velhos tempos. — Você pode me ajudar com isso? 

Tiro o anel da caixinha que guarda a joia do nosso casamento e sorrio ao colocar em seu dedo. 

Beijo sua testa. 

  Ge... Acho que agora você pode me beijar. 

Quando encosto meus lábios nos dela, posso sentir o seu coração batendo no mesmo ritmo que o meu mais uma vez.
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12 comentário (s)

  1. Oi, Pamela. Como vai? Muito bom o texto, viu. Esse foi o seu melhor texto até o momento. Parabéns! Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  2. Oi Pamzinhaaaaaaaaaa,
    A cada texto seu que eu leio, meu coração se enche de saudade.
    Acho que temos que voltar, preciso melhorar logo para o Rascunhando voltar a ativa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    E quem sabe não trabalharmos em continuações?????
    beeeeeeeeeijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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    Respostas
    1. SIMMMMMMM
      precisamos trabalhar nas continuações SIM POR FAVOR, PRECISO ME ANIMAR PARA ESCREVER MAISSSSSSSSS

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  3. Oi Pâm! Os textos de vocês são ótimos, parabéns pela criatividade. E reúnam todos e publiquem, vai ser um sucesso. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  4. Olá, Pâm.
    Que texto mais lindo. Como romântica que sou não poderia deixar de me emocionar. Acho que você e a Ale precisavam escrever um livro juntas. Tenho certeza de que daria super certo e eu teria muito prazer em ler hehe.

    Prefácio

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    Respostas
    1. Ai que honra!! muito obrigada Sil :')
      Estou começando a pensar nisso, sabia? :')

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