Words Challenge 2020 - 1980: Era da Música

Postado em 19 de junho de 2020 às 05:49

Hey cupcakes! Como vocês já sabem, eu e a Alê do blog Estante da Alê anualmente preparamos com muito carinho um desafio de palavras durante o ano todo, onde podemos nos desafiar e trazer um texto diferenciado no conteúdo dos nossos blogs. 

O ano escolhido para esse mês foi 1980 com a Era da Música. Músicas, batidas e canções que levam nossos corpos a uma sensação de nostalgia muito gostosa e revigorante, concorda? Continue lendo para conferir e não deixe de conferir também no Estante da Alê! 😍

Desafio Junho/2020

Palavras: andamento, notificação, invisível, rodar, gelado, lilás

1988 sem dúvidas é o meu ano favorito de todos os tempos.

Amarrei meu cabelo num rabo de cavalo de lado bem alto e pintei minhas unhas de lilás, a minha cor favorita. Eu estava mais do que ansiosa para esse encontro às escuras na discoteca que mais me encantava na cidade: todo o jogo de luzes, cores e aquele piso quadriculado e colorido sempre enchiam meus olhos. O toque da música me envolvia completamente e, se ao menos nada desse certo, pelo menos eu teria tido música para me fazer sorrir.

Eu estava no mínimo curiosa para ver, 14 anos depois, o motivo dos meus sorrisos diários aos seis anos de idade. 

Já passava das sete e meia da noite e meus olhos viajavam pelo mar de gente que dançava na pista. Era cedo, mas segundo minha melhor amiga, era esse o horário que ela havia combinado com Marco, o meu encontro. Havia muito tempo que eu não o via, desde quando éramos crianças, e confesso que me senti mais do que simplesmente interessada quando Meridiana disse que ele havia visto uma foto e perguntado sobre a garota bonita que estava nela. Mas talvez ele já tivesse desistido de tudo e me deixado plantada no meio do salão ,e pelo andamento das músicas, eu precisava pelo menos aproveitar as minhas preferidas. Afinal, ele devia ser só mais um garoto.

Tocava Girls Just Wanna Have Fun e eu sentia o contágio das batidas juntamente com a voz estridente e afinada de Cyndi Lauper cantando na minha mente. Soltei a mão de minha amiga e comecei a fazer a coreografia ritmada que um grupinho fazia aos poucos no meio da pista. Eu não conseguia ficar parada quando ia a discoteca. A vi me chamar, já um pouco longe, mas ignorei enquanto a música acabava. Fechei os olhos e mergulhei no torpor que a música me dava. 

Conhecia muito bem o início de (I've had) The Time of My Life, mas eu estava sozinha e aos poucos os pares foram se formando. Me senti invisível enquanto o toque da música aumentava aos poucos ali no meio da pista de dança.  Só que algo aconteceu nesse momento, quando a música já se encaminhava para seu primeiro refrão.

Senti alguém me cutucar e, ao olhar pra trás, olhos castanhos, um sorriso divertido e uma mão num convite claro me chamando para dançar. Eu conheceria Marco, mesmo não tendo sido devidamente apresentada mais uma vez, e entendi essa certeza assim que coloquei os olhos nele. 

- Me concede esta dança, Mariana?

Assenti com fervor e devo adicionar aqui a minha notificação: Marco é o melhor dançarino que já conheci. Com ele, não é simplesmente dois pra lá e dois pra cá. Ele me fez rodar no meio do salão e voltar para os seus braços no outro instante, me fez rir e criar uma coreografia nova a cada novo passo que eu dava. Depois de alguns minutos dançando com ele, eu já não me importava mais com meu cabelo suado no pescoço e a minha maquiagem borrada contanto que meu sorriso louco de endorfina permanecesse ali. 

Terminamos a última dança e sentamos em uma mesa afastada. Ele tinha pedido dois refrigerantes para nós e era exatamente o que eu gostava para me refrescar. Pelo jeito, ele ainda se lembrava que soda era o meu sabor favorito. Enquanto sorvia um gole generoso e gelado, arrisquei olhar para ele e vi um olhar intenso me encarando por um breve instante. Ele nem havia tocado no seu copo. Quando percebeu que eu estava olhando, bebeu um minúsculo gole. Parecia... Tinha um brilho estranho no seu olhar que deveria muito parecer com o meu. 

- Você está tão diferente...
- Você também, devo dizer. - Olhei para a pista e devolvi o olhar intenso.
- E está muito bonita também.

Sorri com o comentário e baixei o olhar. Eu ficava sem jeito com elogios.

- Você deveria sorrir mais, Marco. Sua boca é muito bonita.

Oh, não. Endorfina funcionava mais do que álcool para minha boca grande.

- A sua também. E eu não parei de olhar pra ela desde que te vi. - Ele estava encarando meus lábios com um olhar faminto. - Seu sorriso é contagiante. - E fixou meu olhar novamente.

Me aproximei na mesa, chegando muito próximo dele. Puxei a gola de sua camisa pra mais perto e aproximei a boca do seu ouvido:

- O que acha de me provocar mais alguns deles essa noite?

Não dei tempo para que pensasse e o puxei para a pista de dança outra vez.
Percebi que Marco não  era apenas mais um garoto, mas o garoto.
Essa noite a música não seria apenas a minha alegria... Dessa vez, teria dança, nome e sobrenome.


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6 comentário (s)

  1. Oi, Pâmela tudo bem? Menina que texto gostoso de ser lido. Parabéns! Sua escrita é tão envolvente. Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  2. Esse desafio de vocês é muito criativo. Adorei o texto.

    Bom fim de semana!

    Jovem Jornalista
    Instagram

    Até mais, Emerson Garcia

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  3. Amei esse texto e como a música influenciou ele! E como não torcer para a Mariana e o Marco? Adoro as canções citadas e quero continuação hahaha. Enfim, achei incrível esse desafio e acho que vocês arrasaram! E sua escrita é bem leve e prende. Amei! ♥

    Beijos, Carol
    www.pequenajornalista.com

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