Words Challenge 2020 - 1945: Segunda Guerra Mundial

Postado em 17 de abril de 2020 às 06:00

Hey cupcakes! Como vocês já sabem, eu e a Alê do blog Estante da Alê anualmente preparamos com muito carinho um desafio de palavras durante o ano todo, onde podemos nos desafiar e trazer um texto diferenciado no conteúdo dos nossos blogs. Quando eu escrevi, eu estava lendo Cavaleiro de Bronze e... Pode ser que tenha sido um pouco influenciada 😅


O quarto ano escolhido 1945 com a Segunda Guerra Mundial. Eu não queria parar de escrever! Continue lendo para conferir e não deixe de conferir também no Estante da Alê! 😍


Palavras: oliva, único, musical, resultado, coruja e caneca


Desafio Abril/2020
Eu estava contando os dias desde que estávamos sofrendo com a escassez e a necessidade de provisionar a todo momento cada alimento que colocávamos na boca. A fome apertava meu estômago e bebi um copo de água, enquanto apertava uma casa no cinto. Meus braços estavam mais magros e eu podia ver a nova família que estava chegando para se acomodar também em nosso lar. O calendário ainda marcava novembro.

A nova família era do melhor amigo de meu pai e em nosso sobradinho, já somávamos agora três lares em um só. O senhor mais velho abraçou meu pai com carinho e pude ver por cima do meu ombro suas lágrimas enquanto preparava uma sopa com algumas cenouras e batatas que havíamos guardado de alguns dias atrás. O casal que morava conosco havia perdido os filhos para a guerra e agora a senhora Yvizgit me ajudava no jantar. 

- Menina Rosa, você os conhece? - Ela me perguntou enquanto eu salgava o mínimo para sentir o gosto, mas ao mesmo tempo guardar o tempero para outros dias. Acrescentei uma pitada e mexi mais um pouco. Um pouquinho de farinha para engrossar... 

- Eu acho que já ouvi falar.... Meu pai costumava compartilhar com o seu Edgard o único motivo pelo qual mamãe sempre ficava brava com ele: um pacote de pão torrado com orégano e azeite de oliva. - Sorri com a lembrança de tempos mais fáceis. - Minha mãe odeia orégano e sempre faz cara de coruja quando percebe que colocamos um pouquinho dele na comida.

Fiz a senhora Yvizgit sorrir com a memória não vivida e percebi meus pais me chamando para cumprimentá-los. Eu me recordava deles, mas o rapaz, que parecia um pouco mais velho do que eu, me falhava na lembrança. Eu me lembraria daqueles olhos azuis, o cabelo tão negro e espesso e cílios grandes que o faziam parecer curioso e gentil. Apertei a mão de cada um e voltei logo para o preparo do jantar. Aqueles olhos amáveis não pareciam tão desconhecidos, mas era melhor que permanecessem assim.

O rádio que antes tinha apenas o fim musical, hoje perdera a função e anunciava outro ataque alemão à Moscou. A cidade não ficava tão próxima da nossa, mas o coração retumbava com as bombas que caíam às oito e meia da noite em ponto - como se o Führer também pudesse estar ali. O resultado daquele líder alemão no poder se tornava cada dia mais catastrófico e nosso único problema era aprender a sobreviver.

O jantar foi silencioso, apesar de poder sentir no ar a alegria dos meus pais por reencontrarem seus amigos com vida. O olhar cor de um lago que eu já não via há algum tempo com a neve incessante que caía lá fora, não parava de me encarar. Terminei minha sopa e já me pus a lavar a louça com cuidado para evitar as duas piscinas que desaguavam em mim. Qual não foi minha surpresa ao ser deixada de lado por todos os residentes para colocar a conversa em dia.

- Posso te ajudar?

O rapaz me encarava sério, já pegando o pano de prato.

- Sim, claro. - Tentei soar simpática, mas senti minha voz falhar surpresa no último instante. Lavei alguns pratos com mais cuidado do que o comum. Ouvi uma gargalhada de minha mãe ao fundo e ardeu no peito a esperança de poder vê-los felizes outra vez. A presença do rapaz ao meu lado não evitava a estranha sensação de familiaridade que ele me trazia, apesar de ter certeza de nunca ter o visto. Em dado momento, ele encostou seus dedos em meu cotovelo e tremi de nervoso. Com o efeito, a caneca escorregou de minha mão, estilhaçando no chão.

O rapaz de olhos azuis prontamente me ajudou com os cacos, antes que o corte aumentasse. Quando ele tocou em minha mão machucada, senti tudo queimar e uma lembrança antiga em minha mente tornou real a familiaridade. 

- Dimitri... Eu... Eu não percebi que era você.

O seu sorriso de lado denunciava a sua lembrança. O meu sorriso tímido denunciava que eu me lembrava de tudo. E agora a minha esperança se renovava mais uma vez.
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20 comentário (s)

  1. Oi, Pâmela como vai? Menina que escrito maravilhoso, ficou muito bom. Parabéns! Escreves muito bem. Eu particularmente acho esses desafios literários sensacional. Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  2. Gostei muito do texto. Original. As palavras selecionadas foram interessantes.

    Bom fim de semana!

    Jovem Jornalista
    Instagram

    Até mais, Emerson Garcia

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    1. Interessante, né? A gente só sente e escreve e escolhe
      Depoiis a gente senta e escreve e se surpreende também

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  3. Ai Pamzinha. Esses textos dão um orgulho. Esse ano está sendo o mais difícil de todos, mas é tão gratificante ler textos assim... Você é maravilhosa! ♥
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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    1. Nós somos maravilhosas e cada um é mais desafiador que o outro, meu Deus kkkkkk

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  4. Demais Pâm! Deu vontade de continuar lendo, de saber o que vai acontecer em seguida... :)

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  5. Mas, Pam. Como tu faz um desafio para parar aí? Eu queria saber o que acontece :(
    Menina, tu escreve bem demais. Me prometa que um dia você termina esse, fiquei curiosa, hahaha.

    Texto excelente! Parabéns!
    Beijos, Vanessa
    Leia Pop

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  6. adoro acompanhar esse desafio Pam! e gosto mt dessa temática da segunda guerra, adorei seu texto

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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    1. Obrigada Livia!
      Eu também adoro essa temática, viu, muito boa!

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  7. Ai, acho que já devo ter te tietado por conta de seus textos por aqui. Tão delicado e ao mesmo tempo nos fazendo sentir as dificuldades e o medo de sobreviver durante uma guerra. Adorei mesmo, ainda aguardo por um livro seu <3

    Abraço,
    Parágrafo Cult | @paragrafocult

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    1. Obrigada obrigada obrigada, Lari!

      Quem sabe um dia? Quero!

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  8. Poxa, o texto nos deu assim, aquela sensação totalmente ambígua de tempos de guerra: você está em paz, mas as notícias te fazendo à todo momento temer o que pode acontecer. Enquanto isso, todo mundo se ajunta, tentando levar a vida sem pirar da cabeça rs
    Muito bom, beeijos

    https://www.rapeizedinamica.biz Um blog de entretenimentos digitais

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    1. Verdade, Lincoln!!!!
      Engraçado como foi escrito bem antes de tudo isso e casa... Engraçado, mas não é engraçado, é triste...

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