Postado em 4 de junho de 2018 às 10:55

[RESENHA] Os Miseráveis, de Victor Hugo

Hey cupcakes! Hoje é dia de resenha de um dos livros favoritos da minha vida após a leitura - Os Miseráveis - e apesar dele ser um calhamaço, é algo que vale a pena sim passar um tempinho a mais lendo e aproveitando todo universo rico que Hugo nos proporciona. Vem cá comigo que eu te conto um pouco da leitura?
Sinopse: Esta obra é uma poderosa denúncia a todos os tipos de injustiça humana. Narra a emocionante história de Jean Valjean — o homem que, por ter roubado um pão, é condenado a dezenove anos de prisão. Os miseráveis é um livro inquietantemente religioso e político.
RESENHA
Eu até comecei a fazer um diário de leitura aqui no blog, mas depois acabei me dedicando a escrever no livro mesmo e marcar todos os quotes possíveis e acabei fazendo apenas dois (vocês acham que devo terminar mesmo assim?). Mas enfim, terminei antes de dezembro e depois pude conferir a obra encenada no Teatro que teve temporada em São Paulo, no Teatro Renault e alguns meses mais tarde, a obra prima cinematográfica lançada em 2013 no Brasil aqui em casa mesmo.
Por mais que tentemos esculpir o melhor possível a pedra misteriosa de que nossa vida é feita, o veio negro do destino insiste sempre em reaparecer.
pág. 246
O livro dos Miseráveis não é muito comum, primeiro porque ele não é apenas um livro mas vários - isso mesmo minha gente. Victor Hugo inicialmente publicou apenas a primeira parte nomeada Fantine, mas no final o livro foi dividido em várias partes e personagens e foi condensado numa obra de várias partes e dentro delas, vários livros. Engraçado como o filme e o teatro passaram por essa parte e foi tão rápido mas no livro é mais denso: aqui vamos começar conhecendo o Bispo Myriel e um pouco de sua vida. Um homem muito bom e de coração enorme (pensei num Papa Francisco ou Pe. Fábio de Melo mais velhinho rs) mas que mesmo ele tinha suas apreensões e tinha que chegar a questões que poderiam fazer as pessoas questionarem a sua bondade e seu episcopado. Ele morava com a irmã e sempre estava disposto a ajudar os pobres, doando boa parte de seu salário e ficando no final, com pouquíssimo para ele - apenas para sobrevivência. No filme e no teatro ele aparece em meio a história de Jean Valjean, mas aqui temos ele em destaque e detalhes. Aí sim vamos ter base de porque e como ele ajuda o sr. Valjean e em como tudo culmina em Fantine, que dá nome à primeira parte.
Verdade ou não, o que se diz a respeito dos homens ocupa muitas vezes em sua vida, e sobretudo em seu destino, um lugar tão importante quanto aquilo que fazem.
pág. 41
Depois que conhecemos o Bispo que a história começa a tomar forma e quem aparece no caminho do Bispo? O pior homem de todos os tempos, um fugitivo da prisão que está sendo caçado por Javert, o inspetor da polícia e por todos ele é considerado um homem a se temer. O seu crime inicial? Roubar um pão para ajudar a irmã e que culmina em dezenove anos de prisão, apesar do inicial ser cinco anos e os demais por tentar fugir. Quem é ele? Jean Valjean. Mas ele fugiu de novo e está pelas ruas tentando um lugar para dormir, algo para fazer... E quem é o único que o acolhe? Uma mulher indica o Bispo Myriel que prontamente está disposto a ajudar Jean Valjean. Em sua cegueira pelos homens, logo de cara Jean Valjean acaba roubando algumas peças de prata do Bispo e é pego pela polícia novamente... Ele só não esperava que o próprio homem lhe desse mais algumas peças para usar não como uma saída mas como um meio para dar a volta por cima. Alguém não acredita que ele conseguiria fazer isso?
Trabalhou para viver; depois, o tempo todo para viver, porque o coração tem igualmente sua fome, amou.
 pág. 163
Alguns anos depois, Jean Valjean aparece novamente, mas agora ele tem outra identidade: Senhor Madeleine, o prefeito da cidade - é gente, a vida é assim, um dia você está por cima, no outro, está por baixo - e dono de uma fábrica na qual Fantine é uma das operárias. No livro temos mais detalhes sobre a moça que era uma bela jovem linda e cheia de sonhos, muito pobre mas que não deixava a sua pobreza atingir seu coração e que se apaixonou por um homem que a abandonou (Tholomyès) com uma pequena Cotovia - a nossa Cosette - e hoje ela trabalha para enviar dinheiro aos Thérnardier para pagar os "gastos" da pequenina, que na verdade é tratada como uma empregada no auge da sua pouca idade - ela tem por volta de 6 a 8 anos - e é seu desenho no céu. Mas algumas mulheres não acham isso digno e fazem Fantine ser despedida de seu emprego na fábrica e ficar mal falada. A mulher tenta de tudo para ganhar dinheiro antes de ter de vender seu corpo e suas forças - vende o cabelo, os dentes até finalmente se vender para dar algum dinheiro para o bem estar de sua menina que está longe. Mas aos poucos o seu destino mostra que já foi traçado e ela precisa da ajuda do Senhor Madeleine para cuidar de sua pequena, visto que suas forças foram esgotadas.
A morte tem uma maneira própria de incomodar a vitória, ela faz a glória vir seguida pela peste.
pág. 350
O Senhor Madeleine saiu em busca de Cosette e a encontra em uma situação nada boa para uma criança, enquanto a outra filha dos Thérnadier, Éponine, era tratada como uma pequena princesa. Ele paga à família uma pequena quantia pela menina e a leva embora; enquanto isso, Javert que desconfiava que Madeleine fosse o Jean Valjean, sai em busca do antigo prisioneiro. Aos poucos os anos passam com um pano de fundo da Revolução Francesa o que culmina em apresentar novos personagens que são representações do povo francês, das misérias das pessoas e das consequências que tudo isso leva. Quem vai ajudá-los é Fauchelevent, um jardineiro que ficou preso debaixo de um carroça e foi ajudado pelo Senhor Madeleine que salvou a sua vida, pois era muito forte e foi crucial para tal ato. Aí temos mais do desenrolar da vida de Cosette e da fama do prefeito e de um outro prisioneiro que acaba sendo salvo e sua reputação acaba sendo de certa forma descoberta.
A alegria que inspiramos tem de encantador o fato de, longe de enfraquecer como qualquer reflexo, voltar para nós mais radiante.
pág. 612
Anos mais tarde, (sim, passam vários anos de algumas partes para outras) teremos uma Cosette mais velha, Marius, um revolucionário jovem e inteligente que a observa de longe lendo um livro e Éponine aparece aqui novamente mas sua cabeça está completamente diferente - ela é esforçada, apaixonada pelo moço e vive sonhando com ele que agora só tem olhos para a Cotovia. Jean Valjean é ainda um homem restaurado e que vê alguns perigos para a sua menina, mas ele precisa ver que ela agora é uma jovem com sonhos e paixões. Javert continua em sua busca para pegar o prisioneiro 24.601. Temos aqui a apresentação do menino Gavroche, um jovenzinho que vive nas ruas e é um pequeno revolucionário e alguns outros personagens que vão se encaixando e desenvolvendo ao longo da história. Viu como cada personagem se liga ao outro de uma maneira natural? Inclusive o pequeno revolucionário acaba tendo ligação com Marius, que tem com Cosette, e por aí vai.
De tempos em tempos, nesses dois anos pode-se fulgurar a verdade, essa luz da alma humana.
pág. 863
Os Miseráveis é uma obra prima, é magistral: a história se passa em meio a Revolução Francesa apesar de ter sido escrito em 1862 por Victor Hugo. Algumas passagens lidam com a própria vida do Hugo (algumas partes ele usa como declaração para sua mulher na vida real, lindo lindo) e por coisas que realmente aconteceram (essa parte do Jean Valjean é inspirada em fatos reais - dezenove anos na prisão por um pão, é de chorar). As personagens tem de lidar com a miséria tanto de dinheiro quanto de alma, com pessoas com sentimentos miseráveis e também com aqueles ricos de coração e que não tem tanto "valor" nos objetos pessoais. Em vários desses momentos temos partes explicativas do que se passava na Revolução Francesa antes de introduzir um personagem ou alguma passagem e vemos como o ambiente influencia no povo.
Enquanto houver lugares onde seja possível a asfixia social; em outras palavras, e de um ponto de vista mais amplo ainda, enquanto sobre a terra houver ignorância e miséria, livros como este não serão inúteis.
Você cria laços com os personagens, sofre junto, chora junto, ri, se magoa e odeia alguns. É o tipo de livro que você termina mas fica por muito tempo pensando depois e durante a leitura: a que ponto a sociedade apontava o dedo e os crimes que podem ser muito pequenos hoje? E não existe miseráveis ainda hoje? Esse é o livro que todos precisam ler como já fica bem claro no início do livro. A miséria que aparece aqui é facilmente encontrada em cada esquina ou até mesmo na sua casa. O livro é só um retrato de tudo que acontece e de uma forma mais detalhada, densa e explicativa, com um cenário de homens lutando em guerra social, pessoas que queriam viver seus sonhos mas tinham suas proibições e eram proibidas também pelos outros, pelos obstáculos que estão sempre presentes no nosso caminho, em pessoas que tem como prazer ou objetivo de vida tanto a glória quanto a maldição de aprisionar outra pessoas, demônios internos e externos
Morrer não é nada, horrível é não viver.
A resenha tá um pouquinho grande, mas ah! Eu preciso falar sobre alguns personagens, mim deixa (brincadeira, meus amores). Jean Valjean é o nosso protagonista e ele é um dos meus favoritos na obra inteira. Ele é esperança mesmo quando ela está perdida, ele é luta mesmo quando parece que a guerra acabou, ele é fé, destreza, força e um homem de palavra. Achei digníssimo ele ter sido representado no cinema pelo Hugh Jackman e no teatro foi interpretado por Daniel Diges, um  cantor espanhol que é apaixonado exatamente por aquilo que faz. Quando ele entrou em cena, nos cinco primeiros minutos, eu já estava emocionada com Look Down, adoro o coração de ouro que ele tem 😍. E o restante do filme então? Nem se fala. Javert na adaptação foi por Russel Crowe e ele é um verdadeiro perseguidor - fica a história toda atrás de Jean Valjean - e é perseguido por seus próprios demônios... Ele é melhor do que o esperado. Além disso, adoro o tom da voz desses dois cantando  no filme.  Cosette é um amorzinho, e é muito fácil gostar mais dela no livro do que no filme, interpretada por Amanda Seyfried: ela não deixa de ser fofa, mas a Cosette no livro é mais sofrida e mais sonhadora com seus livros, com uma inocência mais doce de ser apreciada, e quando é  pequenina? No filme e no livro sou apaixonada por ela. Marius é o galã, um revolucionária jovem que se apaixona por Cosette a primeira vista, ele luta pela causa e não tem medo de por a mão na massa... Se torna um verdadeiro apaixonado e é muito mais fácil se apaixonar por ele no livro também, apesar de Eddie Redmayne ter feito um excelente trabalho, eu fiquei com um super crush no Filipe Bragança interpretando no Teatro Renault em São Paulo.
Enjolras é o amigo de Marius e pense num cara lutador, focado e ah... Ele busca ajudar Marius e os outros a todo momento. Fantine é a mãe de Cosette e uma mulher apaixonada, apesar de toda pobreza que sempre viveu, jamais perdeu as esperanças, por mais dura que ela tenha sido consigo, nunca reclamava, mas estava sempre tentando colocar um sorriso no rosto e seguir em frente. Gavroche é um pequeno que aparece no meio da guerra - ele é teimoso, esperançoso e tem a vida do povo francês exalando por seu poros - distribuindo jornais e lágrimas também. Os Thérnadier são odiáveis e representam uma boa parte da sociedade - dá um certo ranço sim, porque em parte, eles representam a injustiça social. Você acha que eles não estão presentes até os dias de hoje? Está muito enganado, mon ami. Ah! Quase me esqueci. Éponine é a senhorita que cresce junto com Cosette, filha dos Thérnadier, mas a menina o que tinha de fresquinha se torna uma mulher de fibra, apaixonada por Marius, vê que nunca será a dona de seus olhos, mas continua sonhando com o jovem mesmo assim. É muito mais fácil gostar dela nas adaptações... No livro eu fui começar a gostar dela já quase no final, mas criei uma afeição muito especial por essa menina que daria tudo para ver um sorriso no rosto do amado. Espero que não tenha me esquecido de muitos, mas todos tem um lugarzinho especial no coração, seja com raiva ou não, é fácil amá-los quando findamos os livros e guardamos no peito.

Jogando a real, meus caros cupcakes, até o momento esse foi o maior livro que li na minha vida (mais de mil e quinhentas páginas nessa edição maravilhosa da Martin Claret - Deus os abençoe nesse capricho maravilhoso), e não me arrependo. Os capítulos não são tão grandes e os livros também não, mas são vários e a linguagem pode se tornar arrastada em determinado ponto da leitura, principalmente em momentos históricos e explicativos, além de ter algumas referências à época e o que estava acontecendo de pano de fundo no país, além de tudo, o livro foi escrito em meados de 1860, então a linguagem não é considerada uma das mais simples e leves, mas sim robusta e rica em trabalhar poesia com realidade, é lindo de ver, apesar de às vezes ser complicado. Não é uma leitura para se apreciar rapidamente, querendo ler tudo de uma vez. Não. Se aprecia aos poucos, como uma degustação de vinho: quanto mais velho, melhor. Quanto mais você lê, mais você aproveita, melhor você entende e mais você aprecia o "sabor".  É o livro que eu recomendo a todos que leiam pelo menos uma vez na vida, mas eu sei que não é exatamente o tipo de leitura que todos vão gostar ou apreciar, então deixa eu recomendar a adaptação cinematográfica ou o teatro - se você tiver alguma oportunidade, veja um musical ao vivo e um bom teatro, vai ser uma experiência incrível na sua vida, inexplicável!

Classificação: ⭐⭐⭐⭐⭐😍

6 comentários

  1. Oi, Pam!
    Eu li uma versão beeeeeeeeeeeeeeeeeeeem resumida da história e amei mesmo assim. Eu vi a adaptação do musical e achei maravilhosa!
    Beijos
    Balaio de Babados

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  2. Oi Pâm, não sabia que o livro eram vários livros em um. Vi seriados e filmes da obra e tenho vontade de um dia ter e ler esse livro. ótima resenha. E quantas partes marcadas no livro <3
    Bjs
    https://eternamente-princesa.blogspot.com

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  3. Olá!!!!
    Li uma obra reduzida desse livro e me apaixonei!
    Quero muito um dia ler a obra completa :)
    Adorei seus comentários
    Grande abraço,
    EVENTUAL OBRA DE FICÇÃO

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  4. Esse livro sempre me pareceu ser um leitura tão interessante!

    yeahdreamhigh.blogspot.com.br/

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  5. PAMELA POSSANI, EU TE ADMIRO.
    DE CORAÇÃO.
    Quero muito ler essa obra e só de ver a sua toda marcada, o coração acelera...
    Sou apaixonada por essa história e ver no teatro foi algo bem significativo para mim, parece que marcou mais, sabe?
    VOU LER! E UMA META!
    beeeeijos
    https://estante-da-ale.blogspot.com

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  6. Oi Pam, tudo bem??
    Eu gostei muito de sua resenha. Apesar de não ter vontade de ler o livro. Eu gosto muito do filme e deu até vontade de assistir de novo depois de sua resenha. Por aqui encontrei mais alguns detalhes necessários e agora com esta nova visão das coisas, posso assistir de novo. E esse tanto de marcações mulher, que maravilha ein... Cria uma postagem de quotes em duas partes e compartilha com a gente uhuuu Xero!

    https://minhasescriturasdih.blogspot.com

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