Words Challenge 2021 - Festas de Final de Ano

Postado em 17 de dezembro de 2021 às 06:19

Hey cupcakes! Como vocês já sabem, eu e a Alê do blog Estante da Alê anualmente preparamos com muito carinho um desafio de palavras durante o ano todo, onde podemos nos desafiar e trazer um texto diferenciado no conteúdo dos nossos blogs. Esse ano nossas postagens estão sendo mais completas, com direito a elenco, trilha sonora e cenários... Vocês poderão ver um pouquinho delas no Insta Rascunhando Memórias. Que tal conferir o nosso tema da vez na minha versão de Festas de Final de Ano - Natal para o último tema do ano?

Continue lendo para conferir!

Põe pra tocar: Somebody - Dagny

Elenco:
Personagem Masculino: Stian Blipp
Personagem FemininaEmilie Ullerup

Palavras:
relógio, tensão, panetone, doçura, explosão, possibilidade.

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As luzes piscam em lâmpadas-cereja, que são as minhas favoritas, e também em bolas coloridas, luzes de led em todos tipos de cores imagináveis. Posso ouvir o som de um coral na rua cantando Noite Feliz. A loja está quase fechando, afinal, já é quase natal e tudo vibra por isso: as pessoas caminhando apressadamente para voltarem para suas casas, várias sacolas nas mãos, os sinos dobrando e as luzes brilhando a cada segundo. 

O observo através da janela. Embalando os cafés e sorrindo para os clientes.
Um sorriso largo. Aberto. Dentes brancos e alinhados. 

Só eu sei quanto um sorriso podia custar para ele — que costumava sorrir de lábios fechados, com vergonha dos dentes tortos que o faziam "parecer infantil... Fora o dente podre do antibiótico!", como não parava de insistir, influenciado pelas crianças que poderiam ser más, sem perceber. 

A temperatura me tira do devaneio e volto para a realidade. 

Não neva... Na verdade, muito pelo contrário. 

Minha pele está aquecida pelo calor externo, mas um novo rubor além da noite de verão, toma conta do meu rosto e uma ansiedade se apossa do meu peito. Uma brisa suave suspira em meus cabelos, mas não é suficiente para afastar esses pensamentos. 

Penso uma, duas, três vezes... Devo entrar e simplesmente...Pedir? 

Olho para o relógio e para a placa, que anuncia que o expediente está chegando ao fim. 

Talvez ele não se lembre mais de mim, porque mudou tanto... Não é mais aquele garoto magro, com óculos de armação simples e sorriso que eu conseguia conquistar com muito custo. Certamente, o tempo... Mexeu muito com a sua aparência. Mas o efeito sobre mim continua a mesma coisa. Ou talvez até pior. 

Noto o cuidado que ele tem ao entregar os pedidos e, por um momento, penso que gostaria de ser um copo de papel. Gostaria de ser o que ele toca com tanto cuidado e carinho e, eu ousaria dizer, até mesmo, amor. 

Todos os dias venho aqui só para observar um pouco da janela enquanto flexiona os braços para colocar as bebidas nos sacos de papel, sentir o aroma de café moído e ver a facilidade com os clientes, com o sorriso que chega até seus olhos. 

Faltando pouco mais de oito minutos para fechar, abro a porta, acionando um sininho que eu não havia percebido. Sinto a tensão tomar conta do meu corpo, mesmo, que teoricamente ainda existam três pessoas na minha frente... Todos me olham por um instante antes de voltar para suas vidas particulares. 
Seus celulares.
O tablet. 

Procuro seu olhar, mas desvio para os copos de café de plástico personalizados antes de raciocinar que ele pode ter finalmente me visto.

Bobagem.

Pego um copo que está com uma embalagem de natal e olho para vitrine, que se aproxima aos poucos.

Memorizo os desenhos temáticos para evitar a vergonha.

Fatia de bolo e latte de panetone, fatia de bolo e... 

— Boa noite, senhorita? 

Sinto-me observada além do atendente que registra. Repito meu pedido, dessa vez em voz alta e dou uma espiada tímida para o lado para encontrar dois olhos castanhos e curiosos me observando. A barba por fazer. Posso jurar que vejo um brilho de reconhecimento em seu olhar. 

Deve ser impressão minha... 

Faço o meu pedido e engulo em seco quando o vejo preparar meu latte. Tem algumas coisas que eu não cheguei a pedir, mas parece que... Não pode ser. 

Dário me olha por um instante e vejo o sorriso chegar a seus olhos.
Dário. 

— Ester? 

Quando me aproximo do balcão, ele sorri e me entrega o copo. 

— Meio café, com baunilha, gengibre, mel e panetone. 

Ele se... Lembra. Agradeço e aceno com a cabeça, me virando logo em seguida que pego o copo de sua mão. 

— Você está bem? — Ele faz um barulho e vejo que o saco de papel com o bolo ainda está lá. — Faz tanto tempo... — Ele esboça uma reação, mas me sinto em choque. 

Ele se lembra de mim. 

— Ester? Você está bem? — Ele parece em dúvida e eu também. 

Assinto e me obrigo a tentar movimentar uma perna atrás da outra. Ouço uma despedida, mas o sino toca outra vez, indicando que saí rápido demais. 

ÓTIMO. 

Tudo que eu queria... Perder o controle sobre minhas próprias reações ensaiadas. 

Coloco a mão na testa. O que estou fazendo? Deu tudo errado. 

Sinto o cheiro do latte que eu tanto gosto. Dou um gole e a bebida está na temperatura perfeita. 
Tenho vontade de chorar quando sinto o gosto na língua... Inigualável. 

— Tem gosto de... — Sussurro para ninguém em particular. 

— Casa? — Ouço uma voz rouca atrás de mim e lá está... Dário

Quase engasgo com o café e ele continua me observando.

— Eu ia dizer "natal". 

— Pode ser também. Eu ainda lembro do seu latte favorito, Ester. — Ele diz, com doçura. — Você realmente achou que poderia ir embora sem me desejar um feliz natal? 

Sinto o líquido descer quente pela garganta enquanto encaro o meu primeiro amor. 

Faz tantos anos que não conversamos... Desde que eu descobri que ele trabalhava nesse café, nessa cidade, eu mudei minha rota para ir ao trabalho só para dar uma espiadinha pela janela. Hoje foi a primeira vez que entrei, sem resistir mais ao cheiro maravilhoso que vinha lá de dentro. 

Não consegui resistir a não vê-lo mais de perto também. 

 Feliz... Natal? 

Ele me surpreende, deslizando os braços, agora mais delineados e fortes, pela minha cintura, me puxando para um abraço, com o rosto em meu ombro. Uma explosão de emoções toma conta do meu estômago quando percebo que é o mesmo tipo de abraço que ele costumava me dar — parecendo um urso, preenchendo todas as lacunas que eu não percebia que estavam vazias, tomando conta de tudo que eu achava que estava completo. Ele funga em meu pescoço e beija minha bochecha antes de me soltar. 

A barba faz cócegas quando ele encosta o rosto no meu e vejo quão próximos ficamos. 

 Feliz Natal, Ester. Espero poder ter te proporcionado um pouco do sabor que você me traz quando penso na palavra casa. Eu estava esperando pelo dia que você fosse entrar por essas portas e pedir sua bebida. 

Por que está perto demais? 

 Obrigada, Dário. — Consigo finalmente falar. — Eu não sabia que poderia ter essa chance outra vez... 

Sinto meus olhos marejarem e ele desliza o polegar pela minha bochecha, segurando meu rosto. 

— Ester... — Ele sussurra em meu ouvido antes de beijar minha testa. — O mundo está cheio de surpresas... E eu também. 

Ele se despede e morde o lábio antes de se virar, me olhando novamente. 

Preciso voltar para minha realidade com a família reunida para uma ceia de natal. Quando coloco a mão no bolso aberto da minha bolsa, percebo que tem um cartão de felicitações natalinas... E um número de telefone . 

Talvez tudo seja mesmo uma questão de opinião... E possibilidades.

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4 comentário (s)

  1. Oi, Pamela. Como vai? Ficou caprichado hein o seu texto. Eu adorei. Parabéns. Abraço!

    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  2. Olá,
    Amei a história com um quê de Natal.
    Muito fofos. Adoro reencontro de ex-crush haha.
    E me deu fome essas menções de comida.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

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