Words Challenge 2021 - Relacionamento por Conveniência

Postado em 8 de janeiro de 2021 às 06:55

Hey cupcakes! Como vocês já sabem, eu e a Alê do blog Estante da Alê anualmente preparamos com muito carinho um desafio de palavras durante o ano todo, onde podemos nos desafiar e trazer um texto diferenciado no conteúdo dos nossos blogs. Esse ano nossas postagens vão ser um pouco mais completas, com direito a elenco, trilha sonora e cenários... Vocês poderão ver um pouquinho delas no Insta Rascunhando Memórias. Que tal conferir o nosso primeiro tema do ano - Relacionamento por Conveniência?

Continue lendo para conferir!

Põe pra tocar: This City - Sam Fischer

Elenco:
Personagem Feminina: Jessica Lowndes
Personagem Masculino: Thomas Beaudoin

Palavras:
sorvete, carpete, dados, borracha, bravura e cinza.

— Você acha que ficar nesse carro vai te fazer passar pelo que você vai ter que passar agora, Celeste?
Evito, mas preciso encarar aqueles olhos verdes. Ai. Toda vez que faço isso, eu sinto meu estômago palpitar. Ele me dá dor de barriga.

É esse último mantra que repito porque não pode ser outra coisa.

Não pode ser a terrível combinação da camisa cinza com as duas íris que me encaram, e...
Foco.

— Não acho, Riquinho.

— Você acha que usar meu nome do jeito que eu menos gosto vai me fazer desistir? — Ele sussurra o apelidinho que eu odeio, mas que soa muito sexy, porque ele abaixa a voz e diz perto do meu ouvido.— De jeito nenhum, princesa. Você disse que estaria nessa comigo. E você fazer isso... Sabe que me incita mais, né?

Por que ele tem que ser tão direto sobre tudo?

— Mas eu não quero forçar a barra, só que hoje é a cartada final. - Ele continua. - Para as mensagens pararem e todo mundo ver que eu e ela não... . E eu não estou disponível.

Ricardo foge da prima desde que eu o conheço por gente. Só que ela não acredita nos foras que ele dá.
Ela é bonita e tem confiança o suficiente para achar que ele está fazendo charme. Só que cada vez que eles se encontram em festas de família, fica pior e o pobre coitado já não aguenta mais.

Então, como nos conhecemos há algum tempo, bem, por que não dar uma lição na moça? Claro, sem humilhação, só... Mostrar que ele está com outra garota.

Ela não precisa saber que eu só aceitei para ele me ajudar com os relatórios semanais que estou quebrando a cabeça no escritório. E meu trabalho de conclusão da faculdade. 
Shhhhh.

Ele segura minha mão e, antes de entrelaçar nossos dedos, ele desenha círculos com o polegar bem no centro da minha palma. O toque parece íntimo e tento me focar no que estamos fazendo.

— Tudo bem, Ricardo. - Esboço um sorriso. - Já combinamos isso e hoje sua prima vai ver que estamos... Noivos... - Faço uma careta. - E talvez, aí, ela veja que não há mais pra onde ela correr atrás de você...

— Claro. Só que você sabe, né? — Ele levanta meu queixo e estuda meu rosto. — Precisamos ser convincentes. Eu preciso que você os convença de que o que a gente tem não é de mentira... Pode me convencer também. Eu posso mostrar a eles o que eu quero ver, mas...

— Se isso é um desafio, Ricardo, ele está aceito.
• • •
Eu não sei porque eu disse aquilo. POR QUÊ?

Faz meia hora que eu estou sabendo todas as coisas mais sórdidas que a mãe de Ricardo poderia me dizer: a vez que ele, com toda a sua bravura no alto dos seus cinco anos, chamou o cachorro do vizinho de boboca e o mesmo abocanhou sua perna, deixando como resultado um curativo muito feio, briga e mudança de vizinhança; ou ainda, a vez que ele se machucou no carpete de casa, ralou o joelho e ficou meia semana pedindo ajuda porque queria colo, mas conseguia andar normalmente...

— Eu me lembro de tudo, tia Ana! - Pérola solta uma risada e me sinto desconfortável. - Lembra a vez que ele se ralou na bicicleta lá em casa e depois eu tive que beijar para sarar? Ou ainda vez que ele derrubou sorvete em mim e teve que...

Princesa? - A voz grave se aproxima e ele massageia meus ombros. Toda tensão se dissipa, como se ele apagasse com uma borracha. — Eu tô com saudade de você.

— Estamos tendo uma conversa de meninas, Ricardinho. Você já vai ter sua namorada logo, logo... - Pérola tenta puxar minha mão, mas ele começa a descer as mãos sobre meus braços, por trás do sofá.
Não sei se ele estava jogando os dados para uma partida de um jogo que eu não sabia mais se estava participando.

Noiva, Pérola. - Para enfatizar o comentário, ele abaixa e sussurra em meu ouvido, falando mais alto para ela. O rubor é instantâneo. Como ele ousa? - Agora, se nos dá licença, eu preciso ficar um pouco com a minha garota.

Hora da parte dois - uma vez que já ter sido apresentada como noiva para todos os convidados foi o outro ponto alto da noite - e, como ele disse, picante.

Quando me levanto, pegando sua mão, ele me puxa pela cintura. Ele agarra minha silhueta tão perto de si, que posso sentir as suas coxas raspando nas minhas.

A mão escorrega pelo meu quadril e ele faz círculos grandes sobre o tecido do vestido, descendo um pouco mais do que deveria.

— O que você está fazendo, Ricardo? - Ele me olha, encara meus lábios e sorri. Amo quando a boca dele fica nessa curva do meio sorriso e a covinha dupla aparece em sua bochecha. Ricardo chega mais perto e faz um caminho com o seu nariz em meu pescoço, fungando atrás da minha orelha.

— Sentindo seu cheiro. Te... Apreciando nesse vestido. - Ele aperta meu quadril e sinto minha respiração ficar mais pesada. E estamos no meio da sala, a uma distância de sua mãe... Deus, que vergonha... - Vem, comigo, Ce.

A varanda da casa dos seus pais está vazia, mas as luzes da cidade podem ser vistas de longe: brilhantes, iluminadas e reconfortantes. Ele me solta para poder fechar a porta e, então, somos apenas eu e ele novamente.

— Acho que agora acreditam em você.

Ele assente e passa a mão por entre os cabelos, me encarando.

— Acho que sim. E você?

— Eu o quê?

— Acreditou em mim?

— Não tô entendendo, Ricardo.

Ele se aproxima e afaga minhas bochechas, me olhando com intensidade. Suas mãos deslizam pelo meus cabelos, enrolando as pontas com os dedos
Ele não me responde e sorri.

Outra vez sinto suas mãos em meu quadril, apertando contra ele, de modo suave e a sensação não é apenas de coxas contra minha pele.

— Por que esconder algo que meu corpo está pedindo? - Ele sussurra no meu ouvido e logo meu pescoço sente o choque de seus lábios quentes na minha pele gelada quando ele deposita um beijo que causa arrepios. Fecho os olhos e absorvo cada toque. - ...e que está longe de ser uma mentira?

Ele me encara e seus lábios se aproximam dos meus. Tento identificar o álcool em seu hálito, mas sinto apenas o chiclete de menta.

Não consigo entender o que ele está dizendo, mas entendo o que meu corpo também grita quando nossos lábios se chocam em uma dança que inicia suave.

A linguagem que eu não tinha entendido é traduzida e temo que o acordo por conveniência possa se estender à conveniência de gostar de todas as sensações que ele me provoca e pipoca meu peito... Não pode?

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6 comentário (s)

  1. Oi, Pâmela. Como vai? Muito bom o texto. Seus escritos costumam ser criativos e coesos. Espero que você possa publicar um livro, ou conto que seja. Muito legal este projeto de criar histórias com palavras pre- selecionadas. Adorei. Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  2. Olá,
    Essas coisas de cenário, personagens e tals me lembrou o falecido Polyvore. Amava montar coisas lá para minhas fanfics.
    Adorei a história e a escolha dos atores, adoro os dois.
    Um boy fofo assim e provocante não aparece pra mim, só desgraça.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

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  3. pues esta muy bien, me ha encantado tu post guapa

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  4. Oi, Pam!
    Acho muito legal esse desafio que vocês fazem todo ano.
    É muito bom para aprender a escrever sobre tudo e mais um pouco.
    E adorei que agora é mais completo.
    Não conhecia essa música, mas adorei.
    Já coloquei na minha playlist.

    Beijoooos

    Teca Machado
    www.casosacasoselivros.com

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  5. Oi!
    Acho que o clichê do relacionamento por conveniência sempre dá material para ser uma história bem divertida e adorei a pegada mais ~sexy~ da sua história.
    Não conhecia o artista, mas achei uma delícia a música.

    Beijão
    https://deiumjeito.blogspot.com/

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  6. Oi Pam, tudo bem?

    Acho esse projeto seu e da Ale maravilhoso! É um ótimo exercício para escrita e a criatividade. E agora que está mais completo ficou ainda mais interessante de acompanhar.

    Tenha uma ótima semana!
    Beijos;***
    Ariane Gisele Reis | Blog My Dear Library.

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