Words Challenge 2021 - Romance Colegial

Postado em 11 de junho de 2021 às 06:20


Hey cupcakes! Como vocês já sabem, eu e a Alê do blog Estante da Alê anualmente preparamos com muito carinho um desafio de palavras durante o ano todo, onde podemos nos desafiar e trazer um texto diferenciado no conteúdo dos nossos blogs. Esse ano nossas postagens vão ser um pouco mais completas, com direito a elenco, trilha sonora e cenários... Vocês poderão ver um pouquinho delas no Insta Rascunhando Memórias. Que tal conferir o nosso tema da vez na minha versão de Romance Colegial?




Continue lendo para conferir!
Põe pra tocar: Home - Gabrielle Aplin

Elenco:
Personagem Feminina: Katherine Langford
Personagem Masculino: Jacob Elordi






Palavras:
queda, ímã, ventilador, pressuposto, cocô, água.

— Amiga, você viu essa última foto? Tudo bem que ele te irrita, mas que ele é um pão... E a legenda? Pára, Dani... Você viu essa outra, que ele tá numa piscina com várias pessoas? Ele é popular mesmo, mas que pitel, Dani. Olha esse garoto... Ele vai fazer 18 anos mês que vem...

Isso porque ela não vê ele na ONG Anjos sem Asas... Porque isso eu vi com meus próprios olhinhos que essa terra um dia irá comer e ele nunca postou sobre isso no Instagram. Não é vergonha, mas parece ser algo mais. Eu o vejo esporadicamente em alguns domingos, mas sempre tenho outras atividades para seguir. E ele sempre está rindo com um grupo de crianças.

Aquela risada alta ecoa na minha cabeça até hoje.

E aquele Pedro que eu vejo por lá, não bate com as fotos que ele posta nas redes sociais. Eu diria que essa é apenas uma máscara que ele usa para esconder a verdade por baixo da pele.

Algo muito bonito ou muito podre? Como saber? E duvido que seja algo podre... Só não entendo o porquê.

— Nem parece que estamos no último ano do Ensino Médio com você falando desse jeito, Carlinha. E não, eu não vi. — Finjo que não babei ontem à noite na tela do celular, porque esse era o cúmulo ao qual eu havia chegado. Falei que dessa água eu não beberia? Pois mamãe que não veja, porque eu bebi e me afoguei. Se possível, eu mergulho de novo.

Ah, falando que nem uma adolescente apaixonada.

Dani, você precisa parar com isso.

— Então deveria ver. A Isabela não perdeu tempo em ganhar uma curtida no comentário ousado que fez na foto.

Ela mostra o celular praticamente esfregando o aparelho na minha cara. Já entendi, já entendi.

— Você sabe bem o que ela quer dele. Isso se já não conseguiu, porque está em todas as festinhas que ele vai... — Pra quem não vê as redes sociais parece estar bem por dentro, hein, Dani?

Faço um gesto qualquer porque ela não precisa saber que eu stalkeio o Pedro em todas as redes sociais.

Ele e o maldito violão que leva para todo o lado no colégio.

E atrai uma aglomeração de garotas.

E é convidado para todas as festinhas que provavelmente vai.

E que eu tenho uma queda de 17 andares pelo garoto mais clichê do colégio.

Bonito. Com um sorriso de covinhas. Dentes brancos, escondidos pelo aparelho. Legal demais com todo mundo. Simpático demais com os professores. Inteligente.

Com aquele segredinho da ONG que me deixa ainda mais boba.

— Acho melhor você não olhar agora, Dani.

— O que aconteceu?

— Ele está te encarando. — Alguém jogou

— Não está, não.

— Ele tá vindo aqui. O que você fez, Dani?

— Não está, não. — Continuo de costas para onde ela está olhando, fingindo que não sinto mariposas no meu estômago. — E eu não fiz nada.

Mas talvez eu tenha feito. E nada não seja exatamente o que eu não fiz.

Quando ouço a voz dele atrás de mim, é como se tivessem jogado um balde de água gelada na minha espinha.

— Daniele?

Ignoro a voz e continuo ocupada com as minhas miçangas. Eu estou fazendo uma cortina de miçangas acrílicas que vou dar de presente para minha mãe. Ela está louca atrás de uma dessas e guardei dinheiro para comprar o material. Só que preciso fazer longe dela, porque mamãe é como um ímã e ela fica atrás de mim e eu atrás dela em casa o tempo todo. Ao menos na mochila do colégio eu consigo esconder o presente. E em uma caixa no fundo do meu guarda-roupa também.

E estou divagando outra vez. Maldita mania que eu tenho de fazer isso quando fico nervosa.

— Se você partir do pressuposto que este é meu segundo nome, então, não. Agora, que tal voltar a ignorar minha existência, Pedro?

— É claro que eu sei seu nome. — Ele dá uma pausa muito longa e sou obrigada a parar meu trabalho manual e olhar para ele. Por que eu fiz isso? — Carla Daniele de Almeida Flôres. Eu não vou ignorar você e o seu joguinho.

Ouço minha amiga engasgar atrás de mim e sei que ela está segurando uma risada. Todo mundo sabe que não deve me chamar pelo meu nome inteiro.

Eu odeio meu sobrenome.

E além disso, eu e minha melhor amiga temos o mesmo nome, mas como o meu é composto, eu acabo usando Dani.

Como ele ousa...?

Mas eu não tenho nenhum tipo de intimidade para ele ter esse tipo de atitude.

— Sério, Carla. Acho que devemos conversar. — Ele se abaixa ao meu lado, ficando de cócoras e acrescentando baixinho: — Fora dos olhares bisbilhoteiros. Você sabe o que fez. Vem comigo? Pode levar o seu trabalho com você. Está ficando muito bonito.

Eu tinha mesmo que jogar cocô no ventilador, né?

Por que eu não podia segurar esses malditos dedinhos?

Engulo em seco e assinto, revirando os olhos. Eu sei o que eu fiz. Eu assumo as consequências do meus atos... Infelizmente?

Deixo uma Carla para trás muito confusa com a minha ceninha, enquanto acompanho Pedro até a quadra coberta. Como o intervalo já está quase no fim, os caras do time de futebol já estão indo embora. Alguns poucos cumprimentam ele e acenam pra mim sem fazer qualquer tipo de expressão diferente - se fossem as garotas, aposto que sairiam algumas de cara feia e morrendo de ciúmes dele e...

— Ok, ok. Eu sei bem o que você quis dizer com essa mensagem.

Ele mostra a minha mensagem no aplicativo. Vejo várias sendo recebidas, mas números desconhecidos e ele as ignora claramente.

O meu contato tem apenas um "Dani". Como se tivéssemos qualquer tipo de intimidade.

Como se estivesse esperando por isso.

— Eu sei que você me viu. Eu te vi. Eu... — Ele sorri de lado. — Devo dizer que você parecia bem irritada nessas poucas palavras.

Sinto minhas bochechas queimarem.

— Fiquei feliz de ter recebido sua mensagem... E de você ter guardado meu número daquele grupo da ONG. Eu não pensei que você fosse fazer isso. Na verdade, eu estava na torcida. Talvez a minha tática tenha dado certo? Demorou um tempo, mas...

— Quer saber o que eu acho? — Corto e ele assente com um olhar divertido e um sorriso torto nos lábios. Levanto os ombros e fico com a coluna ereta. Pontuo batendo no peito dele. — Eu não sei qual o seu joguinho, mas eu tenho a impressão de que você se esconde por trás dessa máscara de senhor perfeitinho só para chamar a atenção das meninas.

— A sua? Eu tô tentando, gata.

Reviro os olhos.

— De todas as garotas do colégio! Eu vejo você na ONG desde o ano passado e você nunca postou sobre isso. Só posta foto nessas festinhas, rodeado de amigos, luzes coloridas e muita gente e... — Começo a gesticular de nervoso.

— Você já parou pra pensar que... Nem tudo que posto é o que vivo? — Ele pegou meus pulsos delicadamente, desenhando círculos com o polegar e não falou de maneira rude. — Pode ser que eu use uma máscara como você disse... Mas, se você olhar melhor, vai ver que as fotos que estou acompanhado, são minhas irmãs. — Ele baixa meus braços trêmulos e continua me encarando, baixando os olhos para minha boca. — A minha prima mais nova é atendida pela ONG e... Eu prometi que ajudaria ela à minha irmã. É algo de família. E sabe de outra coisa?

Estou paralisada e ele cruza os braços, me encarando.

— Você nunca comentou em nenhuma foto minha, mas há alguns dias eu percebi que você deu um like. Lá pelas duas da manhã de um sábado. E eu curto tudo que você posta. Imediatamente. Mas eu não tenho o mesmo problema do like, porque eu já curti tudo. — Ele dá de ombros e eu me dou conta.

AH, NÃO!

Eu não fiz isso.... Mas... Ele... Não deveria prestar atenção em mim, ele...

— Você não percebeu que eu ainda não consegui o que eu mais queria e por isso continuo tentando, Dani?

Engulo em seco. O meu estado de negação foi tão grande que... Eu não percebi o que estava bem na minha cara.

— Será que... Agora consegui chamar a sua atenção?


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7 comentário (s)

  1. Oi, Pámela. Como está? Que bom que voltou. O texto ficou muito bom, aliás você está se superando a cada texto. Parabéns, viu. Abraco!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  2. adoro esse desafio e sempre acho mt dificil rs adorei seu texto, vc é mt criativa

    www.tofucolorido.com.br
    https://www.instagram.com/liviaalli/

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  3. Oi, Pâm!
    Muito legal esses projetos colaborativos! :)
    Amei conhecer mais da sua prosa.

    Um beijo,
    Fernanda Rodrigues | contato@algumasobservacoes.com
    Algumas Observações
    Projeto Escrita Criativa

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  4. Eu já te falei que você escreve textos jovens super gostosos, né Pamzinha?
    Sinto que você tem muito mais facilidade para construí-los do que eu.
    E o engraçado é que a gente escreveu a tanto tempo que as vezes eu leio e é como se fosse a primeira vez KKKKKKKKKKKKKKK surto igual, peço mais igual, dá um baita orgulho da minha amiga!!!!!!!!!!!!!!
    P.S.: Esse casal é perfeitooooooooooooo!
    beeeeeeeeeeeeeeeeeeijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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  5. Eu amo esse projeto de vocês e fico feliz que agora está ganhando mais detalhes. Eu amei o texto, vocês tem bastante criatividade. E eu confesso que tava bem curiosa com o que sairia com essa combinação de palavras! kkk Atendeu as expectativas e ficou bem maneiro! Parabéns!
    Bjks!

    Mundinho da Hanna
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  6. Eu me senti a mãe da Dani porque tenho uma cortina de miçangas que eu adoro QQQQQQQQQQQ quando li que a protagonista estava fazendo uma, olhei para minha no automático.
    Agora sério, adorei o texto. Você tem muito talento para escrever histórias. Deixou um gostinho de quero mais. Parabéns <3
    beijos

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